terça-feira, 6 de janeiro de 2009

QUAL É O ROSTO DA FELICIDADE?

Lembro-me de na minha adolescência sempre ter havido livros do Quino lá em casa. Evidentemente que inicialmente os que fizeram as minhas delícias foram os da Mafalda.
Num destes dias estava numa livraria quando me deparei com uma colecção da minha querida Mafalda. De imediato peguei num livro à sorte e a primeira faixa que vi foi esta.
Apesar de já a conhecer naquele momento surtiu em mim um grande impacto.
Como reconhecer a Felicidade? Qual o seu rosto?
Tantas vezes a sonhamos, a imaginamos que acabamos por a delinear com traços bem definidos.
Às vezes surge-nos à porta aquela imagem que toda a vida desejamos e esperamos. Abrimos-lhe a porta e abraçamo-la... por instantes que podem ser anos. Por vezes, mais tarde, vimos a descobrir que tínhamos aberto a porta, mas não à Felicidade.
Noutros casos, batem-nos à porta - rosto estranho, desconhecido, desagradável até. Fechamos a porta de imediato, não se vá dar o caso desta criatura se atrever a entrar. Porta fechada, sentimo-nos em segurança novamente e nem sequer voltamos a olhar para trás.

Nem sempre aquilo que desejamos e que tanto queremos é o que nos trás a felicidade. Por isso, nesse momento tenho uma simples folha de papel, com alguns rabiscos, que apenas não está em branco, porque não consegui apagar por completo a imagem da minha Felicidade. Nunca imaginei que uma página quase branca pudesse conter tanta beleza!

sábado, 3 de janeiro de 2009

ESPELHO INTEIRO

Sentada na cadeira de dentista, após observação cuidada da minha distorcida boca, apercebi-me aterrada que a sugestão da Olá é que seria aceite : "Bisturi, por favor.", diz a médica para a assistente e explica-me: " Vamos ter de drenar o quisto." A grande vantagem é que a anestesia não foi o meio copo de sidra, mas sim ministrada por três dolorosas picadelas.
E aqui estou eu com a metade esquerda do rosto inchado até ao olho, lembrando uma vítima de violência doméstica. Tratada com uma quantidade de antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios e com o remédio mais antigo de todos: bochechos de água e sal para ajudar a drenar o quisto e o carinho sempre presente da minha mãe ( não quero ser injusta para todos os outros que me têm apaparicado, mas nestes momentos não há nada como a nossa mãe) . Triste por não não me ter sentido com forças para estar com os meus pequeninos que felizmente regressam logo à noite.
Entretanto hoje aproveito o tempo para vos visitar e retribuir visitas, que por motivos de tempo, não tinha tido oportunidade de fazer. Sim, porque hoje sinto-me bem melhor e disto é testemunha o espelho que não se partiu logo de manhã quando devagarinho fui espreitar o rosto que lá estava.

Obrigada pelo vosso carinho.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

DOR DE DENTES....OU MELHOR DOR DE PRÓTESE


Há uns anos atrás, para aí há 6 anos, coloquei uma prótese dentária, com um dentinho apenas, fixa. Não sei se sabem do que estou a falar: uma coroa com uma espécie de parafuso que fica colocada na gengiva, no lugar do dente original. Primeiro esteve provisória, para averiguar se não havia problemas de alergias e há 4 anos, atentem bem há 4 anos, passou ao estatuto de definitiva. Estava feliz com ela, não se distinguia dos outros dentinhos, mastigava como deve ser e não me provocava qualquer desconconforto. Até que há três semanas, sem mais nem menos, decidiu cair. Fui à minha dentista que me disse esse ser um caso raro e que após as devidas desinfecções voltou a colocá-la no lugar: 1º molar superior esquerdo (não sei se é bem assim que ela designaria a sua localização). O problema é que ontem a gengiva começou a doer, só uma moinhazinha, nada de grave. Deveria ter feito o que a minha querida amiga Sani me teria sugerido perto da meia-noite: "Vai às urgências!" Mas este é um local de que não gosto especialmente e de certeza não era a minha escolha para a passagem de ano. Assim, fiquei toda a noite bem sossegadinha na cama, sem me poder virar, com dores e sem analgésicos que fizessem qualquer efeito. Pela manhã li que a Maria me recomendava, nada mais nada menos, uma ida a Cuba, onde todos nós sabemos que a medicina se encontra bastante desenvolvida. A Olá apareceu de faca em riste e discutiu com a Coragem, mulher de não ficar parada perante as dificuldades, qual dos métodos tradicionais seria o mais eficaz para por fim ao meu sofrimento: retirá-la utilizando o famoso utensílio da Olá ou amarrar uma ponta de um barbante à prótese e a outra a uma porta. Para ambas as sugestões faltava a anestesia! Para tal prontificou-se o Profeta com o meio copo de cidra que lhe sobrava. As duas declararam a quantia insuficiente... O meu amigo Nocturno interveio afirmando que se tivesse aceitado a sua proposta de ir ao Alaska nada disto me teria acontecido, uma vez que as temperaturas por aquelas bandas não são nada propícias ao desenvolvimento de infecções. A minha querida Violeta, sempre atenta aos meus problemas, veio desejar-me que encontrasse a chave para o problema o mais breve possível. A Carla Sofia também me animou desejando que neste "primeiro dia do ano ...dê o primeiro passo na conquista de um sonho meu". Do F.M. chegou-me uma prenda de Natal atrasada (tal como o livro, estás desculpado com a história da insularidade) uma caixa com uns pós de "perlimpimpim" e a f@ disponibilizou-se imediatamente, lá do infinito das suas nuvens, a salpicar-me com estes pózinhos mágicos. A minha querida Blue Velvet disse-me para aguardar com esperança as previsões que o Carlos irá publicar nas suas Crónicas e aconselhou-me a Recomeçar... Presente nesta minha humilde casa desde o início e acabado de chegar de Madrid, o Professor Manuel Damas, apesar de afirmar esta não ser a sua especialidade, em apenas um minuto enviou-me uma receita electrónica e sugeriu-me cuidados com a higiene oral.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL


O milagre acontece quando decidimos proteger quem amamos.


sábado, 6 de dezembro de 2008

A MAGIA DO NATAL



- Tantas bonecas novas! - exclamou a menina de olhos brilhantes e abertos de espanto. Parara à porta da sala, não se atrevendo a entrar. Incrédula olhava as lindas bonecas cuidadosamente dispostas por toda a sala. Só depois reparou no Pai Natal ali mesmo ao lado com um saco cheio de prendas, embrulhadas em papéis coloridos, para a pequenada.


Esta é a recordação que conservo do meu melhor Natal enquanto criança. O impacto da imagem das muitas bonecas (provavelmente não eram assim tantas) espalhadas pela sala foi tão forte que quando relembro aquele Natal a imagem que me surge é a das bonecas, que apesar de saber que eram as minhas bonecas antigas lavadas, penteadas e vestidas com roupas tricotadas e costuradas pelas mulheres da família, durante muitos anos recordei como sendo novas. Os presentes trazidos pelo Pai Natal naquele ano foram relegados para segundo plano.

A preparação para o Natal na minha família começava muito cedo. Muitas das ofertas eram realizadas pela minha mãe, pela minha avó e pelas minhas tias. Era um tal tricotar, costurar, bordar: faziam-se camisolas, bordavam-se biscoiteiras, toalhas, confeccionavam-se cortinados, mantas, naperons para a casinha das bonecas, faziam-se palhaços em lã e bonecas de trapos... enfim era uma azáfema em que os crescidos além de pretenderem surpreender as crianças, procuravam surpreender-se uns aos outros. Depois era a altura de confeccionar os bolos, fazer os torrões de amendoim e açucar, fritar as favas e o grão-de-bico. Apanhavam-se no jardim ramos secos, folhas e pinhas que eram pintados e dispostos em arranjos que decoravam as mesas. A casa cheirava a criptoméria e a bolos de fruta. Todas as tarefas eram realizadas em família e por todo o lado ouvia-se a minha mãe a cantar músicas de Natal. Tudo era preparado com antecedência e cuidado para que quando chegasse a grande noite de vissem os olhos das crianças a brilhar e se ouvissem as suas exclamaçoes de alegria.

Com o passar dos anos o Natal foi perdendo devagarinho o seu brilho. Primeiro deixei de acreditar no Pai Natal, depois a família afastou-se geograficamente e finalmente perdi a fé no Menino Jesus. Hoje não celebro uma festa católica, comemoro o nascimento de um ser humano maravilhoso, que em tempos acreditei ser Deus. Hoje celebro a festa do AMOR.
Agora cabe-me a mim trazer alguma da magia que vivi para a minha casa, é a minha vez de fazer brilhar os olhos dos pequeninos.

sábado, 29 de novembro de 2008

LÁ DENTRO... O MAR



Seguro na mão uma bola de vidro azul. Encontrei-a no canto da sala. Berlinde perdido na última brincadeira. Na casa não se ouvem nem os risos nem as vozes infantis de ontem.
Silêncio.
Olho em volta e não entendo o que faço aqui. Não reconheço os rostos das fotos. Não gosto daqueles frios objectos de metal em cima dos móveis enormes e feios. A cor das paredes dá-me náuseas. Sinto-me uma estranha... uma estranha na minha própria vida. Alguém alterou o código que me permitia aceder ao meu pequeno mundo e que agora simplesmente não entendo.
Olho o pequeno tesouro que tenho na mão.
- Se olhares com muita força, vês lá dentro o mar. - sussurra uma voz de criança.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ESTA VIDA SÃO DOIS DIAS

"Esta vida são dois dias
E um é p'ra acordar
Das histórias de encantar"

cantava Pedro Abrunhosa num dos canais de música na T.V., da sala de espera do escritório de advocacia da dra. Sara.
Durante meses percorrera conservatórias, repartições de finanças, entrara e saíra de salas como aquela, numa sucessão infinita de gabinetes, tentando lidar com uma burocracia que não compreendia e que a fazia permanecer numa história que já não queria sua. Agora estava a dois passos de poder colocar o ponto final naquele conto de final triste.
- D. Conceição, a dra. Sara já a pode atender.
Levantou-se dirigindo-se ao gabinete onde já tantas vezes entrara. Atrás de si continuava a ouvir-se:
"... E um é p´ra acordar
Das histórias de encantar
Das histórias de encantar..."