sábado, 11 de abril de 2009

PRÉMIOS

Até há ano e meio não fazia idéia do que era um blogue. Algures em Outubro/ Novembro de 2007 estive uma semana em casa doente. Um dia na Antena 1 "apanhei" o programa "Estes difíceis amores" do prof. Júlio Machado Vaz, de que muito gostei. Sem muito com que me pudesse entreter e precisando de descançar o cérebro da "montanha russa" em que os últimos acontecimentos (in)esperados tinham lançado a minha vida, lembrei-me de uma frase que ouvira : "Tudo o que é gente importante tem um blogue". Pesquisei no google e descobri o blogue que procurava : o Murcon (blogue do referido professor), do qual passei a ser leitora assídua. Nesta altura criei o meu blogue única e exclusivamente para poder lá comentar. Fui descobrindo novos espaços e este "mundo" novo exerceu sobre mim um enorme fascínio, no entanto, não me passava pela cabeça ter um espaço meu onde pudesse escrever. Foi no final de Dezembro de 2007 que criei este espaço com o intuito de desabafar a angústia que me atingia o coração, é que naquela altura a "montanha russa" estava completamente desgovernada e o "despiste" era a única hipótese que se adivinhava, não obstante o esforço que fazia para manter-me "em linha" por mais tempo, tentando dar a volta à situação. Os primeiros posts que publico são unicamente trancrições de textos onde encontrava alguma força para manter um equilíbrio precário.
Quando começo a escrever no meu blogue começam a surgir os primeiros comentários dos blogues que na altura "visitava". Cedo apareceram os primeiros prémios, que, embora agradecida, não consegui aceitar por não achar merecê-los. Tenho uma "vizinha" que, ao longo deste ano, me foi brindando com alguns prémios e embora eu apenas agradecesse não dessitiu de o fazer. A sua persistência e os últimos prémios que me atribuiu fizeram-me repensar a minha posição em relação aos prémios: como poderia não aceitar estes gestos de carinho?
Esta pessoa maravilhosa é a Blue Velvet a quem agradeço o carinho.
Assim aqui vão os últimos prémios que esta "vizinha" me atribuiu:







Estes quatro prémios vão para:

Fa

Maria

Sani

Vento

Violeta

terça-feira, 7 de abril de 2009

INSTANTÂNEOS



Uma criança a correr atrás das ondas, adolescentes a jogar volei numa roda,um casal de namorados a comer gelado no carro junto à praia, uma mãe que brinca com o filho correndo atrás da bola azul... A minha retina capta estes instantâneos: fotos em movimento de um tempo que já passou.

Saudades? Sim, mas daquelas que já não fazem doer. São recordações que me fazem sentir grata pelos momentos bons que já vivi e aconchegam o meu coração. Dão-me também a certeza que as páginas em branco do meu álbum serão preenchidas com muitas outras fotos. Algumas destas foram capturadas recentemente, não estão coleccionadas por ainda as segurar nas mãos estupefacta com a sua beleza...

Ao longe surgem os primeiros acordes de "As praias desertas" de Tom Jobim, sigo a música trauteando baixinho:


As praias desertas continuam

Esperando por nós dois

A esse encontro eu não devo faltar

O mar que brinca na areia

Está sempre a chamar

Agora eu sei que não posso faltar

O vento que venta lá fora

O mato onde não vai ninguém

Tudo me diz: não podes mais fingir

Porque tudo na vida há de ser sempre assim

Se eu gosto de você

E você gosta de mim

As praias desertas continuam

Esperando por nós dois



Contradição? Talvez, pois se há coisa que aprendi é que na vida nem tudo é racional e congruente. Ou talvez seja apenas o desejo de que um dia nos encontremos numa destas praias que nos esperam pacientemente.

segunda-feira, 23 de março de 2009

PROCURA-SE TEMPO



"Com ordem e com tempo encontra-se o segredo de fazer tudo e tudo fazer bem. "

Pitágoras

Deparei-me com esta frase, no fim-de-semana passado, ao fazer uma pesquisa sobre a Escola Pitagórica e não podia ser mais adequada à fase por que passo: falta-me tempo e com certeza alguma ordem.

sábado, 7 de março de 2009

O SENTIDO DAS PALAVRAS

Os livros que pretendo ler fazem pilha na minha mesinha-de-cabeceira. Sem tempo para os ler, limito-me a folheá-los. É que isto do tempo é uma coisa muito complicada e o meu ultimamente não é suficiente para o que preciso e muito menos para o que gosto de fazer... O último livro que lá coloquei é a auto-biografia "A dança da Realidade" de Alejandro Jodorowsky. Confesso que ainda não passei das primeiras páginas, mas estou encantada com o universo mágico da sua infância e com o modo como descreve a sua descoberta das consequências imprevisíveis das suas acções, boas ou más. Quem mo emprestou leu-me um excerto em que o autor defende que pensamos distorcidamente devido a nos terem ensinado uma linguagem embrenhada de "ideias loucas". Assim sendo, apresenta um novo sentido para alguns conceitos, por exemplo:
Nunca: muito poucas vezes
Sempre: com frequência
Infinito: extensão desconhecida
Eternidade: fim impensável
Fracassar: mudar de actividade
Desiludiu-me: fiz uma imagem errada dele
Eu sei: eu acho
Belo, feio: gosto, não gosto
És assim: é assim que te sinto
O meu: o que agora possuo
Morrer: mudar de forma
Felicidade: estar todos os dias menos angustiado
Generosidade: ser menos egoísta
Força: ser menos fraco

Se é verdade que me identifiquei de imediato com as primeiras "definições" que Jodorowsky apresenta devido à relativização de conceitos que tomamos como absolutos, já o mesmo não aconteceu com as últimas três. Inicialmente, pensei que transmitiam um modo medíocre de estar na vida, um contertar-se com pouco, mas depois encontrei implícita nelas a importância de uma transformação pessoal, gradual e em sentido positivo.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

SILÊNCIO!


Por onde andei, hoje?



Lagoa do Areeiro




Trilho de acesso à Lagoa do Congro





Lagoa do Congro

Lagoa dos Nenúfares



"Silêncio! Não se fala agora. Chiu...Vamos ouvir a natureza." Com estas palavras, à beira da Lagoa das Sete Cidades, o meu tio "Látinho" (era assim que os muitos sobrinhos o tratavam) conseguia acalmar a pequenada. Sim, porque onde ele estava, estavam todos os miúdos da família. Todos obedecíamos. Fazíamos silêncio absoluto: não se ouvia vivalma....

Lembro-o com saudades... penso que o meu gosto por passeios no meio de nenhures foi herdado dele. Em cada passeio, nesta ilha tão pequena, descubro novas belezas. E sinto-me uma felizarda por poder comungar desta natureza quase virgem, num estado muito próximo do selvagem, onde não se vê rastos da acção humana. Fecho os olhos, encho os pulmões de ar fresco e perfumado, expiro e abro os olhos com renovado espanto. Deixo a paz desta natureza invadir-me... renasço novamente.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

DA MANEIRA MAIS SIMPLES

Tor Lundvall



É apenas o começo. Só depois dói,
e se lhe dá nome.
Às vezes chamam-lhe paixão. Que pode
acontecer da maneira mais simples:
umas gotas de chuva no cabelo.
Aproximas a mão, os dedos
desatam a arder inesperadamente,
recuas de medo. Aqueles cabelos,
as suas gotas de água são o começo
apenas o começo. Antes
do fim terás de pegar no fogo
e fazeres do inverno
a mais ardente das estações.
Eugénio de Andrade
Na minha folha, aquela onde ficaram alguns rabiscos (uns que não consegui outros que não quis apagar) ficou o sonho de ultrapassar o inverno sempre que ele chegue, num percurso sem fim.