sábado, 31 de maio de 2008

DESAFIO

A LNeves do "Já nem consigo ser ágil" passou-me o desafio de indicar os meus seis "ódios de estimação".
Pode parecer preciosismo da minha parte, mas o que hei-de fazer, dou muita importância às palavras. Ódio é uma palavra que não consigo usar, porque nunca o senti por alguém ou por alguma coisa. Assim vou apresentar "o que mais me irrita":
- As pessoas que destilam veneno. Não consigo entender por que gastam energia a destruir.
- A mentira. Mentir é sinal de estupidez, porque "a verdade vem sempre ao de cima". Assim, em vez de um, cai em cima de quem mente "dois males".
- A falta de lealdade, porque sim!
- O sofrimento das crianças, porque não o merecem.
- A falta de pontualidade, porque quem não é pontual gera uma cadeia de atrasos desnecessários e para mim o tempo é demasiado precioso para para ser perdido.
- Fazer compras em hipermercados, principalmente quando estão a abarrotar de pessoas. É muita confusão e um grande gasto de tempo, paciência e energia.

Passo o desafio
- à Blue Velvet
- à maria
- ao fm
- à Sunshine
- à coragem
- à Olá

Se já responderam significa que não têm trabalho de casa

sábado, 24 de maio de 2008

CHEGASTE...


Chegaste...
Não sei de onde vieste
Nem que mares navegaste
Tão pouco o que te trouxe
Até mim.
Chegaste...
A princípio não te vi
Apenas sentia a tua presença
Deixaste que te vislumbrasse
Devagarinho
Para que eu não te escapasse.
Chegaste...
És o mar
Que não sei sonhar
Tens o calor do Sol
Que aquece o meu corpo
E me anima o coração
És o mermúrio do vento
Que em surdina
Diz palavras...
As que quero ouvir
E as que tenho receio
De escutar
És barco
Que suavemente soltou
As minhas amarras
E me ensinou a navegar.
Serás ilusão a que a fantasia deu forma?
Ou...
Serás a realidade que sonho a medo?
És presença
A que não quero fugir!

sexta-feira, 23 de maio de 2008

GRITO


Palavras ensurdecedoras
Esgrimam ferozmente
Agrupam-se sem sentido
Tomam forma
Ganham volume
Crescem, crescem...
Disformes, enormes
Não as comporto
Saem
Num grito!

Silêncio absoluto
Finalmente...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

REALIDADE OU ILUSÃO?


Construí a minha casa
Em alicerces de realidade
Com janelas de objectividade
E telhado feito de sonho.
Contemplei-a demoradamente
Não havia lugar para a incoerência
Nela respirava-se a frescura do amor
Ai, triste orgulho o meu!
Os seus alicerces de realidade
Transformaram-se em fraca ilusão
Assisti enterrada em impotência
À sua incompreensível derrocada.
A poeira toldava-me a razão
Uma dor crescente e dilacerante
Atacava insensivelmente meu coração
Alastrava-se, imparável.
Cerrei com força os olhos
Era insuportável esta destruição
Sofri silenciosamente
Em total incredibilidade.
Na superfície límpida das águas
Procurei o meu erro
Pulei do alto da eternidade
Segurando-me em cada instante.
Vivo sob uma ponte
Liga a ilusão à realidade
Deito-me em cama de fantasia
Durmo sem a visita dos sonhos.
Alimento-me de Sol, Terra e Mar
Corações ternos aquecem-me com carinho
Devolvem-me força e coragem
O dia mantém o calor do Amor.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

FIOS ENTRELAÇADOS


Mãos carinhosas
do acaso, do destino
ou da vontade,
reúnem fios,
tricotam retalhos.
Juntam-nos com gosto,
dispoem-nos em manta colorida.

Fazemos parte do mesmo retalho
fomos tingidos de cores que combinam.
Em noites frias de Inverno
ficamos entrelaçados,
aconchegados em silêncio,
em retalho quente
de cor e Amor.


terça-feira, 13 de maio de 2008

APENAS UM PONTO



Num universo complexo,

Feito de rectas e linhas curvas,

Algumas abertas outras fechadas,

Fui ponto.

Tornei-me extremidade de segmento-de-recta,

Sem saber fui vértice de triângulo

obtusângulo, provavelmente.

Saí deste mundo irracional,

Desci por uma espiral

Em velocidade crescente

Continuei ponto

Num mundo sem axiomas

Sem Teoremas nem demonstrações

Onde se aceitam as contradições

E as diferenças são benvindas.

Sou ponto

Que deu salto no vazio

Sou ponto

Parte integrante do abstracto.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A MATEMÁTICA DO BEM E DO MAL

No passado Sábado fomos, eu e duas amigas, participar num colóquio intitulado: " A Matemática do Bem e do Mal". O tema era sugestivo e estava relacionado com a nossa área de formação. Prometia-se convívio com antigos colegas e pequeno lanche. Um bom programa para uma tarde chuvosa de Sábado.


Fábio Chalub, de curriculum invejável em Matemática e Física, actualmente, professor auxiliar da Universidade Nova de Lisboa prometeu um colóquio animado.


Iniciou-o com o " Dilema dos prisioneiros": Dois supeitos de roubo são presos e postos a negociar com o Ministério Público... Cada um tem duas opções: coopera ou trai. Neste primeiro exemplo, conclui-se que se ambos jogam trai obtém-se o equilibrio de Nash (Jonh Nash - Prémio Nobel da Economia celebrizado no filme "Mentes Brilhantes), ou seja, a optimização dos interesses individuais obtém-se quando ambos jogam "trai".


Passou-se, em seguida, para modelos mais complexos que se aproximam dos modelos de sociedades animais e terminou o colóquio com a relação com o ser humano. Evidentemente com muitos exemplos e modelos que seria fastidioso aqui explorar. Em conclusão, os modelos mais complexos, mostram que a cooperação é o que conduz a melhores resultados.


A pergunta final que foi colocada é a seguinte:


" Por que, afinal, criamos uma ética que ( parece) gerar ineficiência económica?"


Será que a ineficiência será só económica, pergunto eu?


E afinal de contas, se existem, tantos modelos em que a cooperação aparece como um bem, porque tendemos a não cooperar e continuamos a tentar maximizar os nossos interesses?


Será que ainda não percebemos que se o nosso comportamento levar à destruição da nossa espécie de nada serve termos maximizado os nossos interesses pessoais ( como diz Al Gore no filme "Uma verdade inconveniente)?







O acaso, ou talvez razão que desconheço, tinha juntado todos os ingredientes naquele auditório. Eram eles palavras, pessoas e relacionamento entre elas. Os modelos expostos, poderiam ser ali aplicados e expressões como "cooperar, "trair", "comer a maçã" passaram a ter ali um significado muito próprio e aplicável a algumas das pessoas presentes. A situação criada fez com que uma das minhas amigas, que não sei bem porquê identifico com a "Olá", soltasse fortes gargalhadas, prontamente acompanhadas, não sei se por embaraço ou se pelo cómico da situação gerada.