Construí a minha casaEm alicerces de realidade
Com janelas de objectividade
E telhado feito de sonho.
Contemplei-a demoradamente
Não havia lugar para a incoerência
Nela respirava-se a frescura do amor
Ai, triste orgulho o meu!
Os seus alicerces de realidade
Transformaram-se em fraca ilusão
Assisti enterrada em impotência
À sua incompreensível derrocada.
A poeira toldava-me a razão
Uma dor crescente e dilacerante
Atacava insensivelmente meu coração
Cerrei com força os olhos
Era insuportável esta destruição
Sofri silenciosamente
Em total incredibilidade.
Na superfície límpida das águas
Procurei o meu erro
Pulei do alto da eternidade
Segurando-me em cada instante.
Vivo sob uma ponte
Liga a ilusão à realidade
Deito-me em cama de fantasia
Durmo sem a visita dos sonhos.
Alimento-me de Sol, Terra e MarCorações ternos aquecem-me com carinho
Devolvem-me força e coragem
O dia mantém o calor do Amor.