"Quando subo pela haste da manhã, encontro uma cidade de cristal. Trouxeste-ma tu (...)terça-feira, 26 de maio de 2009
CASTELO DE CRISTAL
"Quando subo pela haste da manhã, encontro uma cidade de cristal. Trouxeste-ma tu (...)segunda-feira, 18 de maio de 2009
VIVER DE IMPROVISO
Durante muito tempo, demasiado, vivi como se estivesse a seguir um guião que estudara ao pormenor. Conhecia o início da história e como se desenrolaria até ao final feliz! Naqueles dias não me apercebia que me encontrava espartilhada por um argumento. Estava demasiado ocupada em desempenhar o meu "papel". Foram dias recheados de certezas e de sonhos feitos realidade. Claro que havia rotinas e problemas, enredos e contratempos... mas todas as histórias, mesmo as de final feliz são assim. Até ao dia em que fiquei sem saber qual a minha fala e não havia ninguém que ma segredasse... A vida já não seguia a história que lhe haviam escrito. Senti o chão a escapar-me vertiginosamente e as imagens a rodopiarem à minha volta numa sucessão desconexa. Sem compreender o que se passava senti-me desfalecer. Cambaleei insegura e sem as frases certas apenas emitia uma sequência desordenada de palavras... Mesmo sem guião sabia que tinha de continuar, porque do palco da vida não se pode fugir. Após tanto tempo a viver uma vida programada era-me difícil voltar a improvisar. Mas tive de o fazer, de início contrafeita e indignada com a mudança ocorrida, mas depois aprendi a apreciar a espontaneidade das frases e das surpresas que elas proporcionam. Hoje, permito-me palmilhar caminhos que não sonhara e saboreio as descobertas que vou fazendo. Olho sem ansiedade para as folhas brancas que seguro nas mãos.sábado, 9 de maio de 2009
BLEU
"Azul" é um dos filmes da trilogia "Três cores" do realizador Krzysztof Kieslowski, inspirado nas cores da bandeira de França e nos princípios da Revolução Francesa: liberdade (Azul), igualdade (Branco) e fraternidade (Vermelho). Vi-o na televisão há já alguns anos e gostei. Revi-o há algumas semanas com um olhar diferente...
Julie (Juliette Binoche) perde o marido e a filha de três anos num acidente de viação. Inicia uma vida nova longe de tudo e de todos os que até aí faziam parte da sua vida. Do passado apenas traz um candeeiro azul que retira do quarto da sua filha. Mas o passado intromete-se no presente e provoca mais uma perda: a da imagem que tinha do "antes". Com coragem enfrenta os "fantasmas" do passado e pacifica-se com eles. Sempre presente está a força do amor, visível na bondade de Julie e na presença do antigo assistente do marido, cujo comportamento provoca uma mudança decisiva na atitude de Julie. Graças ao amor, Julie aceita o passado, ultrapassa a dor e a solidão e desperta de novo para a vida.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
ESTILHAÇOS
sexta-feira, 24 de abril de 2009
CONSTRUTOR
Comemorou o seu 71º aniversário no mês passado. O seu nome não é relevante, não aparece em revistas ou jornais. Não publicou livros, não é actor nem músico, não realizou nenhuma obra que o celebrizasse... daqui a algumas gerações o seu nome terá sido esquecido. O seu nome não ficará escrito nos livros de história, mas ficará indelevelmente guardado no meu coração. Conheci-o recentemente e aproximei-me dele acerca de dois anos. Não sei muito do seu passado, apenas o que ele conta quando vem a propósito. Nasceu numa família humilde, foi para o seminário cedo, durante a guerra colonial foi capelão militar algures em África. Terminada a guerra voltou à sua terra natal, mas o bispo colocou-o numa terra distante da dos seus pais, gravemente doentes e a precisar do seu auxílio. Talvez tenha sido esta a gota de àgua que o fez deixar o sacerdócio, os verdadeiros motivos desconheço. Tirou o curso de psicologia. Casou-se e teve uma filha que nasceu com uma deficiência profunda. Durante 17 anos, ele e a esposa, deram de comer à menina, puseram-lhe e tiraram-lhe as fraldas, lavaram-na, vestiram-na e pentearam-na, levaram-na a passear, cantaram-lhe e contaram-lhe histórias, beijaram-na e abraçaram-na...era a sua menina. A sua filha faleceu e mais tarde vítima de doença, que sei ter sido prolongada, também faleceu a mãe. O tempo passou, não sei quantos anos ao certo, voltou a encontrar o amor e casou-se à cerca de doze anos. É uma pessoa que admiro, nunca o ouvi lamentar-se da sua vida ou das dificuldades por que passou, tão pouco proferir alguma palavra amarga sobre o seu passado. Está sempre disponível para quem o procura, ouve como ninguém e acima de tudo não julga as pessoas. Tem um coração grande, sempre pronto a ajudar quem ele sabe que precisa. Adora a sua "quinta" que mantém impecável com a ajuda de um jardineiro e no final do ano passado encontrou um novo "hobbie", aprendeu a pintar estatuetas que pelo Natal ofereceu à família e amigos: anjos, Meninos Jesus e Sagradas Famílias ... Guardo o anjo que me ofereceu no meu quarto, bem perto de mim. À esposa ofereceu recentemente um humorístico casal de namorados. Nunca o ouvi lamuriar-se dos seus 71 anos e tem sempre um novo projecto a ser posto em prática. Tenho a certeza que muitas vezes duvidou do seu Deus, no qual continua a acreditar, que chorou com as dificuldades que lhe surgiram, talvez tenha perdido momentaneamente a esperança, se calhar nem sempre foi feliz...hoje basta olhar para os seus olhos para saber que é. Vejo-o como um construtor...um construtor da sua vida.sábado, 11 de abril de 2009
PRÉMIOS
Quando começo a escrever no meu blogue começam a surgir os primeiros comentários dos blogues que na altura "visitava". Cedo apareceram os primeiros prémios, que, embora agradecida, não consegui aceitar por não achar merecê-los. Tenho uma "vizinha" que, ao longo deste ano, me foi brindando com alguns prémios e embora eu apenas agradecesse não dessitiu de o fazer. A sua persistência e os últimos prémios que me atribuiu fizeram-me repensar a minha posição em relação aos prémios: como poderia não aceitar estes gestos de carinho?
Esta pessoa maravilhosa é a Blue Velvet a quem agradeço o carinho.
terça-feira, 7 de abril de 2009
INSTANTÂNEOS






