terça-feira, 1 de setembro de 2009

INICIAL

O mar azul e branco e as luzidias
Pedras - O arfado espaço
Onde o que está lavado e relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida

Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

FÉRIAS

Desde o ano passado que me apetece imenso fazer férias fora dos Açores, sem que tal seja possível.
Neste último ano, houve muitos períodos de tempo em que me senti de mãos atadas, sem poder fazer nada, para resolver os problemas que tanto me afiligiram, restando-me apenas esperar e de preferência com paciência. Foi nestas alturas que me apeteceu deixar tudo para trás e viajar. Sempre soube que a minha queria amiga Sandra tinha razão ao afirmar que sair daqui não iria atenuar as minhas preocupações, porque as levaria comigo para onde quer que fosse. Em finais de Junho, quando já não esperava que tudo se solucionasse do modo que desejava, recebi um telefonema a informar-me que havia sido colocado um ponto final em toda a situação. Finalmente pude respirar de alívio! E achei que merecia as minhas tão desejadas férias, mas aquilo que pensamos, às vezes tem tão pouca importância. Por isso, aqui estou na minha ilha, a passar umas férias simultaneamente relaxantes e divertidas. Estão-me a saber muito bem, principalmente porque sinto uma paz que há muito não sentia. Sei que este Verão o lugar ideal para estar é onde estou.


Hoje estive aqui, na Praia de Água D'Alto:


Uma magnífica praia da costa sul da ilha de S. Miguel, onde mesmo num dia de sol de Agosto, podemos passar um dia calmo, acompanhados pelo som do mar e dos pássaros a chilrear na encosta.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

SEMPRE O MAR


Sempre gostei da companhia do mar. Não importa se está azul ou cinzento, se me vem beijar silenciosamente os pés ou se me atira ruidosamente com os seus salpicos, se cheira a algas ou a iodo. Não importa... Sei que está sempre lá, como se estivesse especialmente à minha espera.

Quando acordo com um passarinho a cantar na janela e vejo o céu azul (às vezes sou a única a vê-lo assim), sei que que o meu mar está lá pronto a partilhar a minha alegria. Nestes dias, sou, junto a ele, livre como o golfinho que pula feliz nas suas ondas.

Nos dias em que as palavras esgrimem no meu cérebro, numa batalha ensurdecedora, só o mar é capaz de as calar. Não sei o porquê. Não sei se é de contemplar a sua infinitude e a sua dança constante, se é de ouvir a sua música ou sentir o seu cheiro. Caminho ao seu lado ou sento-me a olhá-lo e a ouvi-lo até que no meu cérebro as palavras sejam substituídas por silêncio. Nestes momentos nada mais existe: só eu e o mar. Depois, desaparece a urgência das decisões e a enormidade dos problemas. Se não os posso resolver de nada me vale pre-ocupar. Às vezes, simplesmente é preciso esperar, outras dar pequenos (ou grandes) passos na sua resolução. O mar não me dá respostas, dá-me calma, uma grande calma.

O meu templo é o mar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

FÉRIAS À PORTA

Na passada sexta-feira, ao fim do dia, rumei até aqui:


Passeei preguiçosamente, ao sabor da vontade, como só é possível quando não existem horários a cumprir.



Saboreei o Sol e o mar.



Aqui nem um nem outro. O primeiro ficou escondido por umas nuvens e o segundo infestado por "caravelas".



Encantei-me com esta baía de águas quentes e límpidas. Fiquei fascinada pela sua beleza e pela calma que lá encontrei. Tenho a certeza que lá voltarei com mais tempo.
(Fotos tiradas pelo meu filho mais velho.)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

"O AMOR É"

"Isto já não é a paixão cega, mas é algo suficientemente forte que me impede de apaixonar por outra pessoa. E ter essa certeza é magnífico..."

Frase proferida por Júlio Machado Vaz no progama "O amor é", com o tema
"O amor sobrevive ao tempo e à distância?"

É possível ter esta certeza? Durante quanto tempo?
A paixão é algo incontrolável ou podemos impedir que ela aconteça?

terça-feira, 7 de julho de 2009

"O LEITOR"





Infelizmente não consegui ver o filme (esteve em exibição em Ponta Delgada apenas durante uma semana que por azar mau coincidiu com uma altura de muito trabalho), mas adorei ler o livro. A sua leitura foi também um regresso ao meu passado, à minha adolescência, aos dias em que me embrenhava na leitura de romances sobre a II Guerra Mundial. Tudo começou com a leitura do Diário de Anne Frank que me impressionou deveras, depois seguiram-se livros como Mila 18, Última Batalha, Exodus, Segunda Vitória, entre muitos outros. Durante algum tempo este tipo de leitura foi o meu preferido, e sem algum tipo de critério lia todos os livros que encontrava. Indignava-me com a segregação do judeus, com o seu isolamento em guetos e com as condições terríveis em que viviam, com os horrores vividos nos campos de concentração, tornava-me defensora do seu êxodo para a Palestina... Acima de tudo assustava-me a crueldade do homem e a total falta de respeito pela dignidade que um homem pode ter para com um ser seu semelhante.
Este é um livro diferente, desde logo porque a acção desenrola-se no pós-guerra (bem posterior ao pós-guerra imediato de Segunda Batalha) e mais do que um livro sobre a Guerra é um livro sobre como lidar com a culpa que ficou na geração dos que, no mínimo, consentiram, através do seu silêncio, com os horrores cometidos. Depois, porque é uma refelexão sobre as consequências das nossas acções, ou da sua ausência, quer no desenrolar da nossa vida, quer na dos que nos rodeiam. Levanta uma grande interrrogação: Como lidar com estas consequências e com a culpa que nos faz sentir?

Deixo aqui três trechos que me tocaram de um modo particular.

"Porquê? Por que razão, quando olhamos para trás, o que era bonito se torna quebradiço, revelando verdades amargas? Por que razão se tornam amargas de fel as recordações dos anos felizes de casamento, quando se descobre que o outro tinha um amante durante todo aquele tempo? Por que não era possível ter sido feliz numa situação assim? Contudo, fomos felizes! Por vezes, quando o final é doloroso, a recordação trai a felicidade. Por que é que a felicidade só é verdadeira quando o é para sempre? Por que é que só pode ter um final doloroso quando já era doloroso, ainda que não tivéssemos consciência disso, ainda que o ignorrássemos? Mas uma dor inconsciente e ignorada é uma dor?"


"Revisão! Rever o passado! Nós, os estudantes do seminário, víamo-nos como os pioneiros da revisão do passado. Queríamos abrir as janelas, deixar entrar o ar, o vento que finalmente faria redemoinhar o pó que a sociedade deixara acumular sobre os horrores do passado. Iríamos zelar para que se pudesse respirar e ver. Também nós não confiávamos a sabedoria dos juristas. Parecia-nos evidente que deria haver condenações. E também achávamos claro que só aparentemente se tratava de um julgamento de um qualquer guarda ou esbirro de um campo de concentração. Quem estaria a ser julgada naquele tribunal era a geração que se serviu dos guardas e dos esbirros, ou que não os impediu, ou que pelo menos não os marginalizou omo deveria ter feito depois de 1945. E o nosso processo de revisão e esclarecimento pretendia ser a condenação dessa geração à vergonha eterna."


" As camadas da nossa vida repousam tão perto umas das outras que no presente adivinhamos sempre o passado, que não está posto de parte e acabado, mas presente e vivido. Compreendo isto. Mas por vezes é quase suportável. Talvez tenha escrito a história para me livrar dela, mesmo que não o consiga."

em "O Leitor" de Bernard Schlink

domingo, 5 de julho de 2009

ESTA NOITE

Esta noite,
o vento não me trouxe o murmúrio das folhas,
nem o pio do cagarro.
Esta noite
o vento trouxe-me notícias do meu amor.
Sussurou-me palavras ao ouvido.
Vinham de longe, tão longe...
O meu amor tem uma dor
Acho que é no peito.
Estendo a mão, mas...
o meu amor está longe, tão longe...