domingo, 9 de maio de 2010

O GOSTO DE ESTAR


Foi quando aprendi a ficar sem esperar

ficar apenas pelo gosto de estar...

... que a vida me presenteou com as mais belas e inesperadas surpresas.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

EM JEITO DE PRESENTE


Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como o linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

Sophia de Mello Breyner Andersen (No Tempo Dividido)

domingo, 28 de março de 2010

PEDAÇOS DE CÉU (I)

É Primavera! Pelo menos é o que dizem o calendário e as azáleas do jardim da minha mãe. Estranhei as flores terem aparecido com as temperaturas baixas que se têm feito sentir e com a falta de sol. Uma colega explicou-me que para as plantas o sinal que está na altura de florirem era dado pelo  do "tamanho dos dias". Quase que nem me dia apercebido que os dias estão "maiores": a chuva é quase uma constante e os dias têm sido escuros.
É verdade que o sol tarda a aparecer, mas volta e meia consigo "apanhar sol por dentro". Foi o que fiz hoje, acompanhada por muita neblina e alguns orvalhos.
A chuva tem sido tanta que a água da lagoa em alguns sítios extravasou.


A natureza é sempre capaz de me surpreender! Um jarro ( ou caneco, como em alguns sítios é por cá conhecido) mesmo no meio da água fez-me lembrar a frase de um filme "Life always finds a way."




Por alguma razão os Açores são conhecidos por "Ilhas de Bruma".

É um dos lugares mágicos da minha ilha!
Aqui o pensamento pára! Apenas fica o marulhar da água, o ruído da chapa de uma carpa, o soprar do vento entre as árvores, o cantar tímido de alguns pardais, ao longe o assobio de um melro negro. O vento é frio e húmido e cheira intensamente a terra molhada. O verde intenso, que nenhuma máquina consegue captar, enche o olhar. Aqui o tempo pára!

Sabem qual foi o Pedaço de Céu que hoje escolhi?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

(IN)DECISÕES

"Penso, chego a um resultado, fixo-o numa conclusão e apercebo-me de que a acção é algo de independente, algo que pode seguir a conclusão, mas não necessariamente. (...) Não quero dizer que o pensamento e a decisão não tenham alguma influência na acção. Mas a acção não decorre só do que foi pensado e decidido antes. Surge de uma fonte própria, e é tão independente como o meu pensamento e as minhas decisões."
em "O Leitor" de Bernhard Schink

Se lesse esse texto há um par de anos, no tempo em que o meu universo era um todo congruente, discordaria dele por inteiro. Mas este meu mundo desmoronou-se. Perdi as certezas e os sonhos, perdi a pessoa que um dia fui, pelo menos grande parte dela. Descobri, com custo, que a razão e o coração nem sempre apontam no mesmo sentido e que quando isso sucede é difícil a acção ser concordante com as decisões tomadas. Será correcto dizer decisões? Não deveria dizer antes indecisões? Porque a decisão deverá ter um peso suficientemente forte capaz de induzir a acção. Quando a decisão vai contra aquilo que desejamos, a acção não irá ao seu encontro?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CHEGA-TE A MIM E DEIXA-TE ESTAR




Foi este o livro de que vos falei ontem. Como é um livro de crónicas, depois de ler a introdução, fiz uma coisa que não é meu hábito: comecei a lê-lo aos "pulinhos", uma crónica aqui outra a li. Até já sei como termina. é assim:

 "Na verdade, o mundo interior não divide as pessoas entre as estranhas e as de família. Mas entre os viajantes e os aventureiros, os arquitectos do nosso coração e os alquimistas.
Os viajantes e os aventureiros são pessoas que nos surpreendem de passagem. São como pirilampos que nos dão uma luz e, de seguida, nos desassombram com outra decepção.
Os arquitectos do nosso coração rasgam avenidas ou desvendam planaltos. E guiam-nos. Trazem consigo as revoluções tranquilas que acrescentam outros lugares aos pontos cardeais.
Os alquimistas desconcertam mais. Abrem persianas na nossa alma, dão-lhe sol e transformam-nos para sempre.(Peço-vos que não me perguntem onde fica a alma, porque não sei. Mas, como sabem, dá jeito imaginar um «lugar ao sul» que defina o mais fundo de nós e que não tem definição). Como se não bastasse, os alquimistas percebem que aquilo que distingue as «boas prendas» dos «presentes» são os laços. E nunca nos perguntam se estamos tristes ou aflitos. Antes nos dizem:
«Chega-te a mim... e deixa-te estar»
em "Chega-te a mim e deixa-te estar» de Eduardo Sá

As pessoas são uma "caixinha de surpresas". Pensava que tinha um alquimista na minha vida, que com o tempo, muito tempo, vim a descobrir que apenas era um viajante. No momento em que fiz essa descoberta encontrei alguns arquitectos que se te têm mantido ao meu lado. Costumo chamar-lhes os meus anjos-da-guarda, porque chegam-se a mim quando mais preciso, sem que lhes tenha enviado qualquer mensagem. Aparecem como por magia. É a magia do amor.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009



"Eu sei que nem todos os dias são manhãs de sol. E que neste equilíbrio, ora enamorado ora soturno, com a Natureza, também dentro de nós a vida ou se enche de brios ou, como um bocejo que se prolonga, fica pachorrenta e até incomoda.
Sei também que pode parecer ingratidão dizê-lo assim... mas talvez o que nos empanturre seja o lixo dos sentimentos."
Parei aqui. Não precisei mais para saber que tinha de comprar o livro. Não tive oportunidade para ler mais, mas as frases que transcrevi era as que precisava de ler. Depois, uma frase de uma amiga de outros tempos ecoou dentro de mim: "Não és responsável pelas acções dos outros."

A Passagem de Ano não é uma festa que costume comemorar de um modo especial. A grande mudança entre o dia de hoje e o de amanhã é uma questão de mudança de algarismos. Um ano novo trás tantas possibilidades quantas as dos seus 365. Ena tantas!!! Continuo a preferir olhar um dia de cada vez. As reflexões, as mudanças, os projectos deixo-os para o período que medeia o final de um ano lectivo e o príncipio de outro. É nesta altura que fazem mais sentido, uma vez que sou professora.

A todos desejo que em 2010 saibam ver e aproveitar as oportunidades que surjam em cada dia!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

INDIGNAÇÃO



És pai?
És pai biológico com toda a certeza.
Foste pai durante uns anos. Foste pai no dia em que nasceram. Via-se no teu olhar. Foste pai quando lhes deste os primeiros banhos. Foste pai nos dias em que eras seu companheiro de brincadeiras. Foste pai...
És pai?
Deixaste de ser pai no dia em que eles deixaram de ser a tua prioridade. Relegaste-os para segundo plano na tua vida. Não foi só o deixares de lhes dar o beijo de "boas noites", foi a tua atenção e o teu tempo que não mais foram para eles. Mas não deixaram de ser teus filhos e sentem a tua ausência física e principalmente a falta do teu amor. Achas suficiente apareceres nos dias dos seus aniversários todo comovido para lhes dar um beijo e uma prenda. Serás pai só nesses dias? É que no dia seguinte negoceias a redução ao mínimo do tempo que passas com eles. Não sentes a necessidade que eles têm de ti? Da tua atenção? Do teu amor?
És pai?