quinta-feira, 31 de dezembro de 2009



"Eu sei que nem todos os dias são manhãs de sol. E que neste equilíbrio, ora enamorado ora soturno, com a Natureza, também dentro de nós a vida ou se enche de brios ou, como um bocejo que se prolonga, fica pachorrenta e até incomoda.
Sei também que pode parecer ingratidão dizê-lo assim... mas talvez o que nos empanturre seja o lixo dos sentimentos."
Parei aqui. Não precisei mais para saber que tinha de comprar o livro. Não tive oportunidade para ler mais, mas as frases que transcrevi era as que precisava de ler. Depois, uma frase de uma amiga de outros tempos ecoou dentro de mim: "Não és responsável pelas acções dos outros."

A Passagem de Ano não é uma festa que costume comemorar de um modo especial. A grande mudança entre o dia de hoje e o de amanhã é uma questão de mudança de algarismos. Um ano novo trás tantas possibilidades quantas as dos seus 365. Ena tantas!!! Continuo a preferir olhar um dia de cada vez. As reflexões, as mudanças, os projectos deixo-os para o período que medeia o final de um ano lectivo e o príncipio de outro. É nesta altura que fazem mais sentido, uma vez que sou professora.

A todos desejo que em 2010 saibam ver e aproveitar as oportunidades que surjam em cada dia!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

INDIGNAÇÃO



És pai?
És pai biológico com toda a certeza.
Foste pai durante uns anos. Foste pai no dia em que nasceram. Via-se no teu olhar. Foste pai quando lhes deste os primeiros banhos. Foste pai nos dias em que eras seu companheiro de brincadeiras. Foste pai...
És pai?
Deixaste de ser pai no dia em que eles deixaram de ser a tua prioridade. Relegaste-os para segundo plano na tua vida. Não foi só o deixares de lhes dar o beijo de "boas noites", foi a tua atenção e o teu tempo que não mais foram para eles. Mas não deixaram de ser teus filhos e sentem a tua ausência física e principalmente a falta do teu amor. Achas suficiente apareceres nos dias dos seus aniversários todo comovido para lhes dar um beijo e uma prenda. Serás pai só nesses dias? É que no dia seguinte negoceias a redução ao mínimo do tempo que passas com eles. Não sentes a necessidade que eles têm de ti? Da tua atenção? Do teu amor?
És pai?


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

CARTÃO DE NATAL


Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:

que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.
João Cabral de Melo Neto

sábado, 5 de dezembro de 2009

SONHOS


Serão palavras ou cores
o que misturas na tua paleta?
São sonhos que compões,
mar em que mergulho...
por instantes.

sábado, 28 de novembro de 2009

GRATIDÃO



O sentimento mais forte que existe é a gratidão, porque consegue eliminar o negativismo inerente a outros sentimentos, bem menos edificantes.

São tantas as coisas que tenho, as situações que vivi e as pessoas que me rodeiam, pelas quais todos os dias agradeço. Acima de tudo, sinto uma enorme gratidão pela natureza e pelas pessoas que me rodeiam, por aquelas que me têm acompanhado e que fizeram  com que nunca deixasse de acreditar nesta enorme força que me sustenta - o AMOR.
Obrigada a todos os que continuam a ler-me e a comentar apesar da minha presença tão irregular, que é aquela que consigo ter em virtude da minha disponibilidade de tempo.
Para todos deixo um malmequer do campo.

domingo, 15 de novembro de 2009

GOSTO MUITO DE TI



Quando a vi hoje pareceu-me mais pequena. Não que alguma vez a tenha considerado alta, mesmo em criança já me apercebia da sua estatura baixa.
No momento em que cheguei estava sentada numa cadeira, bem na pontinha, com o olhar em lado algum. Ao aperceber-se da minha presença levantou os olhos para mim. Os mesmos olhos azuis, os olhos mais meigos que já vi, mas hoje até os olhos estavam diferentes... no seu olhar estava bem patente a confusão que sentia. Abracei-a e beijei-a como de costume. Não me reconheceu... Falei-lhe dos dias em que, logo de manhãzinha, me penteava os cabelos com vagar e carinho, porque sabia o quão difícil era desembaraçá-los em seco, das roupinhas que me fazia para as bonecas, do dia em que me ensinou a tricotar com paciência infinita para com as minhas mãozinhas desajeitadas, descrevi-lhe as blusas que me tricotara, modelos difíceis que conseguia desvendar olhando, através de uma lupa, horas a fio para as fotografias das revistas alemãs, onde eu encontrava os pull-over da minha preferência, falei-lhe das minhas travessuras com os meus primos... sorria enquanto me ouvia. Por fim disse-me:
- Eu sei quem és, só não sei como te chamas.
A minha tia explicava-lhe quem eu era, a filha do seu filho mais velho, a Carla. As suas palavras de nada serviam. A minha avó não conseguia reconhecer ninguém.
Nas minhas mãos as suas mãos frias, brancas quase translúcidas. Olhou-me a sorrir:
- Sei que gosto de ti.

sábado, 31 de outubro de 2009

PÃO-POR-DEUS



Batem à porta!
Quando a abro vejo um grupo de três ou quatro crianças disfarçadas de bruxas, vampiros e outras figuras que não consigo identificar. Sorriem-me enquanto me apresentam os seus sacos à espera que lá coloque guloseimas, mas não ouço a frase que deveria acompanhar os seus gestos: "guloseimas ou travessuras". Mesmo assim respondo às suas expectativas.
O cenário repete-se ao longo da noite. 
O que é feito do nosso Pão-por-Deus?