Lembro-me de na minha adolescência sempre ter havido livros do Quino lá em casa. Evidentemente que inicialmente os que fizeram as minhas delícias foram os da Mafalda.
Num destes dias estava numa livraria quando me deparei com uma colecção da minha querida Mafalda. De imediato peguei num livro à sorte e a primeira faixa que vi foi esta.
Apesar de já a conhecer naquele momento surtiu em mim um grande impacto.Como reconhecer a Felicidade? Qual o seu rosto?
Tantas vezes a sonhamos, a imaginamos que acabamos por a delinear com traços bem definidos.
Às vezes surge-nos à porta aquela imagem que toda a vida desejamos e esperamos. Abrimos-lhe a porta e abraçamo-la... por instantes que podem ser anos. Por vezes, mais tarde, vimos a descobrir que tínhamos aberto a porta, mas não à Felicidade.
Noutros casos, batem-nos à porta - rosto estranho, desconhecido, desagradável até. Fechamos a porta de imediato, não se vá dar o caso desta criatura se atrever a entrar. Porta fechada, sentimo-nos em segurança novamente e nem sequer voltamos a olhar para trás.
Nem sempre aquilo que desejamos e que tanto queremos é o que nos trás a felicidade. Por isso, nesse momento tenho uma simples folha de papel, com alguns rabiscos, que apenas não está em branco, porque não consegui apagar por completo a imagem da minha Felicidade. Nunca imaginei que uma página quase branca pudesse conter tanta beleza!