quinta-feira, 3 de janeiro de 2008










by JEC


Retrato Talvez Saudoso da Menina Insular

Tinha o tamanho da praia

o corpo era de areia.

Ele próprio era o início

do mar que o continuava.

Destino de água salgada

principiado na veia.

E quando as mãos se estenderam

a todo o seu comprimento

e quando os olhos desceram

a toda a sua fundura

teve o sinal que anuncia

o sonho da criatura.

Largou o sonho nos barcos

que dos seus dedos partiam

que dos seus dedos paisagens

países antecediam.

E quando o seu corpo se ergueu

Voltado para o desengano

só ficou tranquilidade

na linha daquele além.

Guardada na claridade

do olhar que a retém.


Natália Correia


Não parti como a escritora. Fiquei por opção, nesta terra que considero minha mãe. É nela e com ela que sonho...
O meu retrato não será saudoso da ilha, talvez o seja da menina que fui.

5 comentários:

aminhacaramela disse...

Como compreendo a saudade de voltar a ser MENINA, onde tudo era perfeito e nada nos faria prever que ser ADULTA era um pouco difícil!!
Beijos
Sani

Sunshine disse...

UM POUCO... muito difícil... mas vamos lá a pôr as garras de fora e fazer frente às dificuldades que nos aparecem.
Beijinhos

Moira Encantada disse...

ai, a Natália... :)

Não esqueçamos, não deixemos sozinha a criança que fomos e ainda brinca nos nossos jardins escondidos!

um grande beijo, tão insular como a Menina - rodeado de azul infinito!

Sunshine disse...

moira encantada, o meu problema é que acho que ela se perdeu e eu não a consigo encontrar. Tenho medo de me ter tornado tão séria como os adultos.

Olá!! disse...

Ninguém se esquece de sorrir...
Beijos