Há um pequeno sismo em qualquer parteao dizeres o meu nome.
Elevas-me à altura da tua boca
lentamente
para não me desfolhares.
Tremo como se tivera
quinze anos e toda a terra
fosse leve.
Ó indizível primavera!
De Eugénio de Andrade
Hoje lembro-me de ti tal como eras há 25 anos: cabelos loiros, olhos claros, sorriso terno, olhar travesso... esta é a imagem que permanece intacta na minha memória e não a substituo por nenhum dos instantâneos que a minha retina captou nos últimos anos. A razão é apenas uma: só naqueles três anos viveste em mim, hoje vives a tua vida e eu a minha.
Naquela manhã, bem cedo, desceu à praia.
Era Verão e escurecia, estava quente e abafado. As nuvens forravam o céu de cinzento escuro, quase negro: ameaçavam chuva. Prescindiram do passeio à beira-mar. No centro comercial escolheram um filme: nada de histórias tristes ... uma história de amor de final feliz, como sonhavam a sua.
Entreabriu preguiçosamente os olhos ... os raios de Sol entravam pela janela, suavemente filtrados pelos pesados cortinados.