quinta-feira, 19 de junho de 2008

Perguntas difíceis

Aqui há uns aninhos, o meu filho mais velho, sem mais nem menos ( porque ele é mesmo assim, quando há uma coisa que não compreende pensa primeiro e depois, sem preâmbulos, dispara a sua questão) perguntou-me: " O que acontece quando nós morremos?"
- Não sei.- respondi-lhe eu, não gosto de mentiras, principalmente ditas às crianças - Há quem acredite que as pessoas boas vão para o céu, que é um "lugar" muito bonito, há quem acredite que voltam à Terra e vivem outras vidas, há quem acredite...
- E tu em que acreditas, mãe?
- Que morremos e pronto ... não há mais nada.
- Ah! Assim como quando os filmes acabam.
- Sim.

A conversa terminou e até hoje a resposta que lhe dei me atormenta. Fui verdadeira, procurei responder à sua pergunta o melhor possível, mas continuo a perguntar-me se fiz bem. Será que tinha o direito de lhe roubar ilusões? E depois, quando alguém querido morrer, falo das estrelas?

Talvez, por isso, ontem não fui capaz de lhe dizer a verdade nua e crua, mas esta é outra história.

14 comentários:

Coragem disse...

O que passamos aos nossos filhos, é na altura o que sabemos fazer de melhor, às vezes o tempo passa e verificamos que nem sempre foi, podia ter sido de outras forma.

O mais importante é abdicar da mentira, responder adequadamente à cabecinha e idade de cada um.

è aquilo em que acredito que lhes dou, depois fazem o juizo que quiserem,
mas a nossa convicção tem de ser mostrada como a nossa verdade, para eles entenderem, que são personalidades diferentes e não uma mentira.

Beijinho

Patti disse...

Fizeste o que sentias que devias fazer. Não lhe mentiste e ele entendeu logo, até fez a sua própria comparação.
Eu dei uma resposta muito parecida e a minha filha também me perguntou em que é que eu acreditava.

Fizeste muito bem.

Maria disse...

Um abraço para ti....
(se é que entendi a última frase)

provokactor disse...

...uma luz, indika sempre algo de...klàro.
ném sempre as nossas respostas têém ke ser certezas, visto ke só konhecemos akilo ke konhecemos, o ke signifika kuase nàda...
vài.me ser dificil deixar-te un kom pertinente, ou tu retornàs-te a akreditar en Deus e na eternidàde.
A vida tém a ver kom a eternidàde...
a morte é apenas un xtàdo transitório, do kual, nós humanos, não konseguimos sair. Serà, a meu ver, a fronteira entre o poder do ser humano e, a bondàde divina. O sôpro da vida, é uma dàdiva de Deus.
Kompreendo ke tenhas perdido o "krer", talvez porke não konheces o Deus vivo!? Mas os korações bondozos, ke evókém o nome de Deus, enkontrarão o kaminho da vida.
Tô konvikto ka vida não tém sentido se se limita só àkilo ke nós konhecemos...nascer,viver e morrer...é kontràrio à kualker tipo de kriação.
Ou serà ke nós fazemos filhos, kon a profunda konvikção ke os irêmos destruir?? un filho não é uma vida?
E a vida vém mesmo de nós?? então se damos vida a partir d'un akto de enleios karnais, porke não konseguimos dar vida kuando a morte s'apresenta, deixando.nos kon un sentimento de impoténcia, ke toda a rikêza do mundo não konségue superar...e assim fikamos, kon as rekordações de kém se foi.

un ventinho klàro

D.Antónia Ferreirinha disse...

sunshine, como eu amo essa ilha.
Amo mesmo de verdade.
Trabalhei 3 anos no concelho da Ribeira Grande.
Aí trabalha-se muito melhor. Está tudo muito mais organizado.
Bendito Álamo de Menezes.
Beijinho e espero que o próximo ano seja melhor para ti.

D.Antónia Ferreirinha disse...

Sunshne, fizeste o que achaste melhor em cada um desses momentos.
Isso é que importa.
Beijinho.

LuCe disse...

Talvez um dia pergunte ao tio. Só não sei se este será capaz de responder melhor (e as suas crenças acerca da morte são, ainda por cima, tão sui generis)

mjf disse...

Olá!
Educar não é facil...dificilmente sabemos se o que achamos certo numa determinada altura...´será a melhor forma de os ajudar...:=)
Mas é a vida... e fazemos sempre o que achamos ser o melhor para eles...

Beijocas

Nyna disse...

gosto das estelas.
é poético.
abraço.

sani disse...

CC , conhecendo-te como eu conheço(não é muito, mas já temos uma ideia uma da outra) sei que disseste as palavras correctas de uma forma doce, que só tu sabes fazer!!!Confia no instinto de mãe(o teu é tão grande) admiro--te muito!!!
BEIJOS
Sani

Paradoxos disse...

entrei e espero reentrar mais vezes por aqui, um beijo

Edu

Carla disse...

fazemos o melhor que podemos pelos nossos filhos...e nesse amor as respostas que lhes damos são quase sempre bem entendidas...o que não é válido e o silêncio e a ausência de quem não ama, ou não sabe amar
bom fim de semana
beijos

Olá!! disse...

Curioso que me aconteceu exactamente o mesmo e a resposta dele foi "será que estamos mortos e nem sabemos"...
Quem ficou a pensar fui eu... raio de rapaz que me põe com cada dúvida :)))

Beijo grande CC

tanokas disse...

disseste o que sentiste :)